Mário Barbosa.
No dia 16.11.2009 li no jornal O Liberal a reportagem intitulada "Pará 'fabrica' índios para ter reservas", que deve ter passado despercebida para olhos desatentos, infelizmente, por se tratar de algo grave demais para ser aceito no Brasil, que se quer democrático de direito e livre de ingerências guerrilheiras de outros países.
Inicialmente, chame-se a atenção para um pequeno equívoco no título da reportagem, porque na verdade não é o "Pará" que fabrica índios, mas sim algumas facções da Funai, mancomunadas com movimentos sociais e ONGs internacionais (neste caso, o Greenpeace), que atuam nos porões, de forma sub-reptícia.
Outro pequeno lapso da reportagem foi não mencionar que no dia 10.11.2009 o monstruoso prejuízo de mais de R$ 3.000.000,00 (três milhões de reais) para a empresa M2000, que teve sua carga de madeira em duas balsas criminosamente queimada pelos peões que se proclamam "índios" neste imbróglio na Gleba Nova Olinda. Não é demais lembrar que as duas balsas também foram deformadas pelo calor da fogueira, não mais servindo para transportar coisa alguma, nem mesmo os ribeirinhos, outra de suas finalidades naquela região.
É estranho notar que a fogueira foi ateada justamente na data exata em que o Poder Judiciário concedeu liminar para que a madeira fosse liberada pelos criminosos. Isto é: de um lado, vê-se o direito de propriedade, que tem guarida na Constituição Brasileira, jogado na lata do lixo. De outro, vê-se que o Poder Judiciário foi solenemente desmoralizado.
Se pensarmos que o problema também não é nosso, pode ser que um dia desses um destes bandidos, o mais frágil deles, entre sozinho em nossa casa, roube-nos a luz e, conhecendo nosso medo, arranque-nos a voz da garganta, a exemplo do que escreve Eduardo Alves da Costa no poema: "No Caminho com Maiakóvski". Esta comparação é pertinente agora porque o Greenpeace quer ressuscitar, ao todo, além da Borari, outras 11 etnias indígenas extintas. Ou seja, daqui uns dias o Greenpeace brigará para colocar índio até dentro do Bosque Rodrigues Alves, dentro da capital Belém.
Durante o ato criminoso, é bom informar, o procurador da República Claudio Henrique Machado Dias, acompanhado do capitão dos portos de Santarém reconhecido pelo pré-nome de "Evandro", estava presente no local, mas nenhum dos dois tomou medida enérgica para evitar o vandalismo. Na melhor das hipóteses (o que não significa que seja boa), talvez temessem por sua integridade física. Ora, faz sentido para alguém que o poder estatal ceda para peões empunhando facões?
A matéria disse também que eles até receberam curso "vip" ministrado pelos ativistas do Greenpeace para se comportarem como índios nos momentos convenientes. Ora, se a ONG ambientalista está nos porões desta empreitada criminosa, é ela que deve indenizar a empresa do prejuízo que sofreu, afinal, ela possui mais de 3 (três) milhões de mantenedores no mundo todo, como ela própria divulga em seu site na Internet. Deste modo, cada mantenedor pode contribuir com R$ 1,00 (um real) para contornar o prejuízo que a empresa amarga agora.
Mas se o governo do Estado for chamado para quitar este prejuízo, podemos concluir, sem meias palavras, que, afinal, o governo de Ana Júlia está dando prejuízo para os contribuintes, para a sociedade. Lembremos que no dia 12.11.2009 saiu a sentença do juiz federal de Marabá, Carlos Henrique Borlido Haddad, condenando o governo do Estado por não ter, em abril e maio de 2008, autorizado a polícia militar a evitar os prejuízos astronômicos que a Vale estava ameaçada de sofrer por atuação criminosa dos integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra). A história se repetirá com o caso atual da Gleba Nova Olinda, como tudo indica. Enquanto isto, há escolas no interior paraense que não têm dinheiro sequer para comprar borracha, apagador e papel...
Há muitas perguntas que não querem calar: Quem financiou os 300 litros de gasolina para queimar uma carga de 1.800 (mil e oitocentos) metros cúbicos de madeira? Onde é que as polícias militar e federal estavam que não puderam evitar esta desordem, que sinaliza para o resto do país a possibilidade de desrespeitar as leis e as ordens judiciais sem sofrer qualquer prejuízo? Trata-se, como se pode ver, de uma homenagem ao crime, descaso e impunidade. É, também, a histórica omissão do Estado, até que algo trágico novamente ocorra. E lá se vai o nome do Pará manchado na mídia nacional e internacional de novo.