O desenvolvimento da Amazônia aos olhos do governo federal e de tecnocratas só é possível através de planos concebidos em escritórios de ar condicionados. Cria-se um modelo fantasioso e o milagre acontece. De pratico, nada, apenas palavras bem produzidas e um sonho quimérico.
Ao que se sabe o novo modelo concebido para a Amazônia (PAS) até agora não contribuiu em nada para retirar da escravidão econômica nenhum núcleo ribeirinho, isto porque o social ribeirinho não tem poder mágico para transformar o modelo proposto em desenvolvimento concreto.
Audiências públicas usadas estrategicamente para justificar a liberação de recursos, não passam de uma farsa programada para justificar a alocação de recursos de conveniência de tecnocratas e satélites. Insistir no propósito de planejar para a Amazônia como um todo, é malhar em ferro frio, é procurar o insucesso e desperdiçar dinheiro público, do povo, pois como se sabe, todos os planos criados para desenvolver a Amazônia fracassaram. E, por quê? Porque a Amazônia é composta por estados que tem cenários diferentes. Se depender de saber de quem é a competência para criar planos de indução de investimentos e atividades de qualquer natureza, essa competência é do Estado situado na região geográfica Amazônia. São os Estados amazônicos os especialistas para esse tipo de tarefa e não o governo federal, a quem cabe administrar territórios federais.
A interferência planejadora do governo federal na Amazônia tem sido ao longo do tempo perniciosa e prejudicial ao desenvolvimento dos Estados amazônicos. A missão da União na Amazônia deveria estar restrita a fornecer recursos para obras infra-estruturais. Assim tem sido com relação aos Estados do Sul e Sudeste, razão porque eles se desenvolveram e se distanciaram dos Estados do Norte. A Amazônia não pode continuar como cobaia de experiências de tecnocratas que se consideram donos da verdade, luminares, pessoas que nunca dirigiram qualquer atividade produtiva, a menor que seja, mas que se acham com direito de dar conselhos e opiniões para os agentes econômicos, os verdadeiros especialistas na arte de produzir e gerar desenvolvimento. Como se comportariam os antropólogos e os arqueólogos se médicos fossem dar palpites nas suas áreas? Por mais inteligentes que os tecnocratas possam ser não tem eles o direito de submeter milhões de pessoas as suas experiências fantasiosas.
É uma característica do atual governo, sempre que se trata da Amazônia, simples figura geográfica, encontrar nos empreendimentos privados algum tipo de desvio, como se fosse uma vestal ética e moral. O lucro na Amazônia é coisa proibida, segundo setores da igreja comunista e ONGs estrangeiras, pecado que deve ser erradicado da Amazônia. É muito importante saber que nenhum plano do governo desenvolveu o sul, o sudeste, o nordeste e o norte. Todo o desenvolvimento dessas regiões se deve a livre iniciativa. Plano governamental para desenvolver determinada região não passa de uma miragem, apenas um ato político demagógico, sem nenhuma base de sustentação.
O Plano Amazônia Sustentável - PAS não pode ser levado a sério quando, por razões inexplicáveis, ignora a força da seringueira com célula de desenvolvimento. Lamentavelmente a seringueira não aparece em nenhum momento no PAS, o que prova que o plano não passa de uma figura de retórica, que desconhece a realidade e não trabalha com modelos que se adéqüem as condições próprias de vida dos ribeirinhos e de seu meio ambiente. Experiência realizada com ribeirinhos no município de Anajás, um dos mais pobres do Pará, mostrou que a seringueira, produzindo apenas borracha, aumentou a renda da família ribeirinha em 900%, sem planos quiméricos e com poucos recursos. Se considerarmos que a seringueira é responsável por outras fontes de renda como o seqüestro do carbono, produção de madeira para móveis, produção de mel, óleo da semente, e produção de proteína para ração animal; se considerarmos que é possível consorciar açaí com seringueira, entre outros possíveis consórcios, então temos o modelo que precisamos no Pará para dar partida para um desenvolvimento de áreas pobres paraenses, sem fantasias e de maneira prática.
A nocividade da ação governamental na Amazônia é tão contundente que apesar do brutal esforço da FAEPA de acomodar situações conflitantes e prejudiciais a região ter proposto ao governo "desmatamento zero", o que sou totalmente contrário, pois um sonho impossível, o INPE que não merece nossa confiança por ter realizado relatórios políticos sobre clima e CO2, vem sistematicamente aos jornais para acusar o Pará de liderar o desmatamento, jogando no lixo todo um esforço conjunto da FAEPA e do governo do Pará para acomodar conflitos ambientais